Archive for Novembro, 2011

Perguntas

Onde estavas
tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylon
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
Ou Alende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.

Joaquim Pessoa

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O nosso país em BD


Património da Humanidade


Bom Fim de Semana


Está contratada!!!

A Bronca é livre


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Conto até cem e, se não chegares antes dos cem, vou-me embora. Não chegaste antes dos cem. Conto de cem a um e, se não chegares antes do um, vou-me embora. Não chegaste antes do um. Conto dez automóveis pretos e, se não chegares antes dos dez automóveis pretos, vou-me embora. Não chegaste antes dos dez automóveis pretos. Nem antes dos quinze taxis vazios. Nem antes dos sete homens carecas. Nem antes das nove mulheres loiras. Nem antes das quatro ambulâncias. Nem sequer antes dos três corcundas e, entretanto, começou a chover.
Imagens: Ana Teresa Fernandez
Texto: António Lobo Antunes


Estes tempos

Quem canta sempre se levanta,
calados é que podemos cair.

Que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir.

Sei de vitórias e derrotas
nesta luta que vamos vencer.

Se quem trabalha não se esgota
tem seu salário sempre a descer.

Mas quem mal faz por mal espere,
o tirano fez janela para fugir.

Mas esse tempo que há-de vir
não se espera como a noite espera o dia,
nasce da força que transpira
de braços e pernas em harmonia.
Já basta tanta desgraça
que a gente tem no peito a cair.
Não é do povo nem da raça
mas do modo como vês o porvir.


Start listening to the silent spaces in your thoughts and enjoy the wells of peace that exist within them!


Domingo de Outono

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Porcelain Unicorn

Filme vencedor em Cannes na categoria duração máxima de três minutos e um mínimo de diálogos.


A ignorância dos nossos universitários

A SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa. Não se ria. O resultado é dramático


Pesquisaram no Google imagens farófias sensuais e encontraram este blog.


Porto d’abrigo

Um dia, sabendo que eu gostava de peixe, levou-me a comer a um restaurante finório. Queria impressionar-me. O restaurante ficava ali para os lados de Entrecampos. Era um sítio de sombras, um luxo decadente de dourados oxidados e fetos artificiais. Um restaurante de adúlteros, de patrões e secretárias, de traições breves, repetidas, urgentes e essenciais. Cheirava aquele lugar ao sexo feito nos carros estacionados na escuridão junto ao rio, ao sexo feito nos quartos de hotéis baratos, pressentiam-se ali humidades, lingerie molhada, falos entumecidos, mamilos túrgidos sobre mesas postas com preceito, guardanapo de pano, copos de cristal, o pão colocado à esquerda, num pratinho com a faca da manteiga.

Ana de Amsterdam


Robert Rowland Smith


E eles também

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Eu fui

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Conta de hotmail bloqueada

Não consigo aceder à minha conta do hotmail,

ESTÁ BLOQUEADA.

Não consigo ler os mails recebidos nem aceder aos contactos.

 


11-11-11

Olá pai

Neste teu dia, tenho tanto para te contar.

Nós estamos todos bem, os teus andam numa luta constante para conseguir sobreviver neste mundo de loucos. Preciso, de em tom de desabafo, dizer-te que não nos preparaste para esta sociedade em que vivemos. Sinto-me desajustada de um mundo onde o burlesco e o capital imperam sobre aqueles que trabalham e acreditam.

Lembro-me tão bem dos livros e histórias que me contavas quando eu era pequenina. As aventuras de Robin Hood eram as minhas preferidas. Um Rei que roubava aos mais pobres os poucos tostões amealhados, para avolumar a sua riqueza pessoal. Estão muito presentes na minha memória, as imagens de gente esfarrapada, que vivendo em condições miseráveis era sacudida e espremida pelos guardas do rei. Mas, eu sentia-me muito protegida,  porque nas histórias, havia sempre um Robin Hood para aconchegar os mais necessitados, exactamente como tu fazias para eu adormecer.

E foi nessa realidade que nos ensinaste a crescer, de solidariedade, respeito pelo outro, onde o mérito e o empenho são sempre valorizados.

Obrigada por me mostrares esse mundo maravilhoso onde fui muito feliz, não sei é muito bem o que fazer neste.

Vemo-nos nos sonhos.

P.S – A mãe sente a tua falta, ela não se queixa, ela nunca se queixa, mas sente  a tua falta.


E por vezes…

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão Ferreira