Archive for Janeiro, 2013

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Live


Estive em Bruxelas, vi fechaduras dessas, sem
metáfora, vi Victor Horta. Estava acompanhado,
mas não eras tu. Subi à Acrópole, ainda madrugada,
ao som de Luiz Bonfá numa flauta invisível. Havia
gente, mas não eras tu. Mergulhei na mata, norte
de Moçambique, meio Tarzan, meio
descompensado. Guiavam-me, mas não eras tu.
Comi com as mãos numa cave escura do Lower East
Side. Sorriram-me, mas não eras tu. Atravessei um
rio algures na Cornualha. Ouvimos os patos grasnar,
mas não eras tu. Falei com Eugenio Granell acerca
do capitalismo. Não eras tu. Fiz amor com uma
garça, um salmão selvagem do Alaska, um limo
ondulante. E, então sim, eras tu.

Miguel Martins, in CÃIBRA
EdiResistência, Lisboa, 2012


construiste a tua casa
emplumaste os teus pássaros
golpeaste o vento
com os teus próprios ossos

terminaste sozinha
aquilo que ninguém começou.

alejandra pizarnik


Fábulas de uma vida.


Cloud Atlas

Our lives are not our own. From womb to tomb, we are bound to others. Past and present. And by each crime and every kindness, we birth our future.


Diários

o melhor viajante é aquele que vampiriza tudo por onde passa – e regressa sem dor a casa. deita-se e fecha os olhos com força – a luz dos sucessivos dias bate contra a janela fechada – e murmura: onde os meus passos perderam a memória secou a paisagem. onde minhas mãos interromperam o sono quebraram-se as ilusões. onde cortei o voo do pássaro feri o coração. onde o corpo acorda não acorda a desolação. mas, de regresso a casa, ele prepara mais uma viagem e sabe esta mentira: a viagem que se prepara nunca tem regresso.

Al Berto


Tinha Paixão?

li algures que os gregos antigos…

quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?

quando alguém morre também quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?

e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?

os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão como fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?

Herberto Helder


If death meant just leaving the stage long enough to change costume and come back as a new character… Would you slow down? Or speed up?

— Chuck Palahniuk, Invisible Monsters


A minha geração

Um professor uma vez disse-me:

– A minha geração fez o 25 de Abril. E a tua, o que vai fazer?


When I was younger

When I was younger I’d put my arms in my shirt and told people I lost my arms. I would restart the video game whenever I knew I was going to lose. I would sleep with all the stuffed animals so none of them would get offended. I had that one pen with 6 colors, and tried to push all the buttons at once. I poured my soda into the cap and acted like I was taking shots. I would wait behind a door to scare someone, but left because they took too long or I had to pee. I would fake being asleep, so my dad would carry me to bed. I used to think that the moon followed my car. I would watch those two drops of rain roll down the window and pretend it was a race. I used to swallow fruit seeds and get scared to death that a tree was going to grow in my tummy. Remember when we were kids and couldn’t wait to grow up?
What were we thinking?

 


S.M.Breyner

Cortaram os trigos. Agora

A minha solidão vê-se melhor

( from my soul-sister)


We do not grow absolutely, chronologically. we grow sometimes in one dimension, and not in another; unevenly. We grow partially. we are relative. we are mature in one realm, childish in another. the past, present, and future mingle and pull us backward, forward, or fix us in the present. we are made up of layers, cells, constellations.   “

-anaïs nin


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Desejos para o novo Ano


Vem embora comigo, disse ele, vamos viver numa ilha deserta. Eu disse, eu sou uma ilha deserta. Não era o que ele tinha em mente.


AMAR O INFINITO

Compreende-se que os místicos de outrora, à semelhança aliás de muitos que hoje se entregam a ocupação idêntica, tenham preferido dispensar amor ao Infinito, em vez de o investirem nas finitas criaturas. Além de não trazer notáveis aborrecimentos nem ameaças de ciúme infrene, o Infinito constitui a permanente garantia de haver sempre um ponto genuíno e imaculado que acolhe mestres sem repelir neófitos – ponto onde nem a alma sazonada ganha tédio nem o espírito bisonho perde alento.

Divina Comédia


Os Miseráveis

Um filme que me encheu a alma.


As regras da sensatez

Uma aquisição recente que gosto muito. “Rui Veloso e Amigos”.


Blow up

Que excelente filme para começar o ano. Obrigada.


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2013

 

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