Archive for Agosto, 2012

A dança das sombras

Por vezes tinha a companhia das sombras . Só ela as via; aliás, era ela que escolhia, mentalmente, a companhia que queria; via secretamente essas sombras. E dançava com elas; dançava com os olhos, com movimentos de cabeça, com os braços. Podia estar a ver as sombras e estar, ao mesmo tempo, a dançar as suas músicas. Dançava; às vezes, por dentro de si mesma.
 
Anúncios

Casa inacabada com baloiço na janela

Inevitavelmente, voltamos sempre ao mesmo, o amor!…
Tudo já foi dito e redito, tudo já teve o seu direito e o seu avesso, no entanto, quando o dizemos de dentro é como se tudo num breve instante se esbatesse e reencontrássemos a voz primordial.
É assim com a pessoa amada, é assim em todas as canções de amor.

Claro que gostamos de finais felizes, claro que fazemos sentir a nossa falta, claro que nos irritamos, claro que projectamos na voz da pessoa amada os nossos mais secretos desejos…
Claro que nos desiludimos para voltarmos ao mesmo: o amor!

Atravessamos um deserto cego e frio e só depois de nos darmos conta; deixamos livros marcados para que o outro dê conta de nós, rasgamos a pele e a roupa para que, num desespero de carência, se ofereça o essencial… e, no entanto, só perante o amor avaliamos a nossa total fragilidade. É o suspenso momento de todas as indefinições, de todos os medos, de todas as dúvidas… mas, simultaneamente, o grande delta de toda a razão de ser, a grande casa inacabada.

João Monge


Culture cuts

Cortes na cultura publicado pelo The Guardian


Boneca de Luxo

Não podemos confiar o coração a um animal selvagem: Quanto mais lhe damos, mais forte fica. Até ter força suficiente para largar a correr para a floresta. Ou voar para uma árvore. E depois para uma árvore mais alta. E depois para o céu. É o que lhe vai acontecer, se se apaixonar por um animal selvagem. Acaba a olhar para o céu.

(…)

Vai por mim, é melhor olhar para o céu que lá viver. É tão vazio e tão vago. Um país para onde vai o trovão e as coisas desaparecem.

Truman Capote


Where?

Este slideshow necessita de JavaScript.


Caetano Veloso

70 anos


O Desporto e nós

A forma como os diferentes países participam nos Jogos Olímpicos e as modalidades em que são medalhados tem muito a ver com as características mais vincadas da sua cultura.

Por exemplo, os Franceses, que agem sempre com galhardia e “panaches”, são bons na esgrima.

Os Alemães, com precisão e exactidão, calculando as reacções sem desvios, são medalhados no tiro.

Os Americanos, com um ego que enche o sistema solar, são abrangentes nos seus feitos, nem sempre os melhores mas sempre no estrelato.

Já os Ingleses, navegam entre as estrelas e lá vão conseguindo umas medalhas na ginástica.

Ora bem, então e nós, os Portugueses?! Nós, participamos com algum sucesso nas corridas de fundo. Aquelas que nunca mais têm fim, em que é preciso batalhar muito, partir pedra, transpirar, quase que vencer a gravidade, tal e qual como regar feijões na lua.


Até já!

Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles