Archive for Setembro, 2011

 


Eu quero ser sempre a vizinha da frente.

 

O desejo é uma questão de perspectiva, pelo que pede distância. É espreitar uma desconhecida à janela (e se houver uma cortina ondulante por perto, a provocar intermitências na visão e a alimentar as frágeis aparências, tanto melhor). Não é por acaso que em You’ll meet a tall dark stranger, Woody Allen mostra, primeiro, o escritor sem talento (Roy /Josh Brolin), entediado com o seu casamento com a bela Sally (Naomi Watts), a fantasiar com a misteriosa e sensual vizinha da frente (Dia /Freida Pinto) e no final, já a viver com Dia, a olhar, interessado, para a figura feminina do prédio da frente, que é precisamente a sua ex-mulher. O desejo é querer estar no outro lugar.

Maria João Freitas

Os 10 melhores empregos do mundo

Umas dicas para tempos de crise.

1. Zelador de ilha paradisíaca

Bem Southall, de 34 anos, ganhou esta vaga depois de passar por cima de 35 mil pessoas que também lutaram pela vaga. Seu trabalho consiste em nadar, explorar as maravilhas naturais e relaxar na ilha de Hamilton, próxima à Grande Barreira de Recifes. Mas não é só isso: ele também ganha 111 mil dólares para trabalhar lá durante seis meses. A parte mais trabalhosa do emprego é escrever um blog para promover a beleza da área.

2. Provador de camas de luxo

Uma estudante inglesa de 22 anos conseguiu um trabalho dos sonhos, literalmente: Roisin Madigan ganhou mil libras para testar camas de luxo durante um mês. A estudante realizou o trabalho como parte de uma pesquisa feita pela empresa Simon Hord, especializada em camas de luxo. Madigan tinha que ficar deitada nas camas do showroom da empresa das dez da manhã às seis da noite, além de escrever em um blog sobre a sua experiência com cada uma das camas.

3. Analista de tobogãs

melhor emprego do mundo

Tommy Lynch já viajou por todo o mundo testando tobogãs de parques aquáticos. Ele trabalha para a empresa First Choice, uma gigante no ramo do entretenimento, e testa a altura, velocidade, quantidade de água e qualidade da aterragem dos tobogãs, além de cuidar dos aspectos de segurança dos brinquedos. Só em 2009 ele já cuidou da segurança e qualidade de tobogãs na Grécia, Turquia, Flórida, Jamaica e Ibiza. Chato, não?

4. Testador profissional de prostitutas

melhor emprego do mundo

Jaime Rascone tem um bizarro trabalho dos sonhos: ele faz todo o controle de qualidade de um bordel mexicano. Rascone, que é modelo e DJ, recebeu uma oferta para trabalhar na empresa de acompanhantes Fiorella e realizar o último passo no processo de contratação para o trabalho no local. Lá, as garotas passam por um processo de seleção com entrevistas, sessões de fotos e testes psicológicos. O último passo para a contratação passa pelas mãos de Rascone, que testa até seis garotas em um único dia. Ele tem que então escrever relatórios sobre os movimentos e gemidos das garotas, e fazer recomendações à dona do bordel.

5. Provador de vinhos e blogueiro

melhor emprego do mundo

Imagine só: um trabalho que permite que você more no coração do local de produção de vinhos da Califórnia, nos Estados Unidos, sem pagar aluguel e ganhando 10 mil dólares mensais por seis meses. Além disso, o trabalho ensina sobre as técnicas para a produção de um vinho perfeito, e tudo que você tem que fazer é escrever no Twitter e no Facebook sobre as suas experiências. Hardy Wallace conseguiu esta incrível vaga de trabalho concorrendo no processo seletivo da empresa Murphy-Goode, que exigia um vídeo que explicasse por que você seria bom neste trabalho.

6. Provador de doces

melhor emprego do mundo

Harry Willsher pode não ter o melhor emprego do mundo, mas com certeza tem o mais doce: o garoto de 12 anos é provador-chefe dos doces da empresa Swizzell’s Mattlow. Ele ganhou o emprego depois de ganhar um concurso realizado pela empresa, em que descreveu o sabor de seu doce preferido. O jovem testa os novos produtos da empresa, e também ajuda a monitorar o desenvolvimento da nova fábrica da Swizzell.

7. Testador de camisinhas

melhor emprego do mundo

Este trabalho não deixou ninguém rico e não oferecia muitos direitos trabalhistas, mas acredito que ninguém se importaria de ter que trabalhar em casa. A fabricante de preservativos Durex abriu 200 vagas para que homens testassem seus produtos e dessem opiniões sinceras sobre a performance das camisinhas. O trabalho pagava com 60 dólares, em produtos da empresa, além de oferecer um bônus de mil dólares a um dos sortudos.

8. Provador de World of Warcraft

melhor emprego do mundo

Você, amigo nerd, joga World of Warcraft? Consegue atingir o nível 80 em menos de duas semanas? Se a sua resposta é sim, você pode se inscrever para concorrer a um emprego que os quase 12 milhões de jogadores só sonham, e testar as novidades do WoW. Atualmente, a empresa que fabrica o jogo está procurando por pessoas que falem alguma língua além do inglês, então se você tem um inglês afiado além da sua língua nativa, e até mais alguma outra, pode se inscrever para fazer carreira na empresa aqui. Ah, antes que eu esqueça: você terá que jogar vídeo game por no mínimo quatro horas diárias.

9. Diretor de diversão em um museu. aos seis anos de idade!

melhor emprego do mundo

Um ambicioso garoto de seis anos queria se tornar diretor do Museu Feroviário Nacional, mas acabou se tornando diretor de diversão do museu. Sam Pointon enviou uma carta escrita à mão pedindo por uma entrevista no museu, explicando que, apesar da sua idade, achava que podia fazer o trabalho de diretor do local. Ele não conseguiu a vaga para dirigir o museu, mas foi contratado para dizer como ele acha que o museu pode se tornar o mais divertido o possível para crianças como ele. Ok, pode não ser o melhor emprego do mundo, mas aposto que você adoraria este emprego com seis anos de idade!

10. Ciclista/fotógrafo para o Google Maps

melhor emprego do mundo

O Google contratou dois jovens sortudos para andar de bicicleta pela França, tirando fotos de locais históricos e turísticos que não podem ser acessados de carro. Os ciclistas, que usam t-shirts do Google e toda esta parafernália para realizar o trabalho, visitam o Castelo de Versalhes, o jardim de Luxemburgo e vários outros locais incríveis do país.

artigo aqui


a máquina de fazer espanhóis

sabe quem é este esteves? é o esteves sem metafísica, sim, o do fernando pessoa.

e eu abri a boca de espanto inteiro.

(…) fernando pessoa, pensou joão esteves, um nome de escritor. e depois ponderou que o poema, coisa sobre que não percebia nada, havia de ser uma porcaria sem interesse. olhou em redor, viu a confusão em que se tornara a tabacaria, aquele desarrumo e o aspecto feio do dono, e viu como dali não se via nada de particularmente belo, como haveria um poema de ser belo escrito a pensar naquilo.

Valter Hugo Mãe

( Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928


Fim-de-Semana

Depois de duas horas no sofá, sempre na mesma posição, dei por terminada a aula de Yoga.


A Diva dos pés descalços

Não volta a pisar os palcos e eu gosto tanto de mornas e vozes quentes.


“If I only had three words of advice, they would be, Tell the Truth. If I got three more words, I’d add, All the Time.”

(Randy Pausch)



The end of Summer

Sou pelos pés descalços na areia morna e na tijoleira fria. Sou pelo mar e pelo final de tarde na praia. Sou pelo arrepio do creme no corpo quente e a entrada nua na água fria. Sou pelos calções e havaianas. Sou pelas lambidelas no Corneto e chupadelas no Callipo de limão. Sou pelo rodopiar nos aspersores de rega, a roupa colada ao corpo e o banho de mangueira. Sou pela sopa fria e pelo pingo da sardinha no pão. Sou pelo lençol de linho no corpo quente e a janela aberta à noite. Sou pelas esplanadas e pela imperial preta. Sou pela subida às árvores, pelos cheiros e pela fruta madura. Sou pelo aconchego do cinema ao ar livre. Sou pelos olhares matreiros e pela sedução implícita. Sou pelo exercício até à exaustão e pelo banho de imersão. Sou pela dança, pela música, pelo livro e pelas respectivas memórias. Sou pelo abraço, pelo beijo, pelo amor. Sou pela cama de rede, pelas estrelas cadentes e pelos sonhos. Sou pelas viagens e pelas imagens. Sou pela falta de horário e pelo tempo ocupado. Sou pelas cores que apetecem comer e pelo sabor agridoce. Sou pelas pessoas bem resolvidas, pela paz e pelo riso. Sou pela amizade e pela verdade. Sou pelo abraçar da vida. Sou pela Vida.


Acidente

Não fora o engravatado e a coisa podia ter dado para o torto!!!


Aulas em Setembro?!… bah!!!

Se há coisa com a qual não me conformo é com o início da escola em Setembro. Estou mesmo convencido que foi uma das piores decisões políticas das últimas décadas, uma mancha na  nossa democracia, uma soez concessão às modernices europeias como as maçãs calibradas ou os coffee breaksem vez de intervalos.

Ao contrário do que se passa em países frios e chuvosos onde o Verão não passa de um ridículo fim-de-semana prolongado, Portugal tinha uma Trindade meteorológica que eu julgava intocável: Julho-Agosto-Setembro. Julho-Agosto-Setembro, um triângulo mágico e poético feito de Verão, de praia, de férias. Fazia-se praia durante todo o mês de Setembro como hoje se faz em Julho ou Agosto. Vínha-se da praia no fim de Setembro ainda com tempo para descansar até ao começo das aulas a 7 de Outubro, para então aprender o que se aprende hoje.
Só que o Setembro está para esses países como o Outubro para nós. Para eles, o Setembro liga com Outubro. Para nós, Setembro liga com Agosto. O que fizeram connosco foi ter metido a escola pelo Verão adentro (ou o Verão pela escola adentro) como se o Setembro pedisse Outubro. Uma aberração.
A escola devia começar quando os dias começam a escurecer, a ficar mais pequenos, a arrefecer, a pedir um agasalho.Ou seja, durante o nosso Outubro, que é para nós o Setembro dos outros.  Nós não temos a culpa de viver no sul da Europa onde faz calor em Setembro como em Agosto. E meter os jovens portugueses dentro de uma sala de aula em Setembro é tão ridículo como meter uma arara num fiorde norueguês. As coisas são o que são e não o que nós, por decreto, impomos que sejam. Neste caso, uma espécie de acordo ortográfico mas feito de meteorologia: tudo trocado e sem benefício que se veja.

Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não…

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…


Paga-me um café e conto-te a minha vida



11/09/11


Londres

Uma das imagens icónicas dos motins de Londres foi a jovem polaca que saltou de um edifício em chamas. A sua silhueta negra em queda, braços levantados e uma perna dobrada, com o fogo a tornar tudo ao fundo amarelo e laranja, impressiona e comove, tanto quanto os braços estendidos cá em baixa (talvez de bombeiros), braços que dizem salta, não tenhas medo, estamos aqui para te proteger, para te amparar, salta para os nossos braços que o fogo não te apanha. Parece que ainda há gente assim.

Pedro Mexia


Portugal

Vivo num país onde se fez uma revolução com cravos e onde o Primeiro Ministro vem avisar que não tolera tumultos nas ruas, não tendo havido qualquer manifestação.


Retratos

Ainda há quem se case e cumpra a tradição.

Neste caso, o naipe interminável de iguarias acompanharam as metáforas, citações, poesia e objectos estranhos utilizados na homilia. O Sr. Prior, (retire lá o senhor, – disse-me ele) decidiu brindar os noivos com um ferro de engomar a carvão simbolizando o casamento cujas brasas devem estar sempre bem acesas para alisar quaisquer rugas, brindou-nos com umas citações do Lobo das Estepes de Hermann Hesse e disse um poema de sua autoria.

Ficou sentado ao meu lado numa mesa que tinha como quebra-cabeças, Dá Deus nozes…

Comovente.


Wunderbar

– Claro que sim, como é evidente, senhora chanceler! É claro que vou esmifrar o meu povo até já só sair pus, em nome desta grande nação que é a Alemanha. Nem outro cenário se podia pôr! Então a senhora tem aqui este país tão lindo, tão desenvolvido, tão rico… e ia ser por causa daquele cantinho ridículo, daquela franja de território, cheio de pessoas endividadas, que íamos abalar esta grande nação!? Por quem me toma, senhora Merkel!? Eu já trabalhei quinze dias no privado, sei o que custa ganhar a vida. Sei o que são “mamões” que só gostam de esbanjar à conta da senhora Merkel e do seu povo trabalhador. Esteja descansada que nós estamos a aplicar as medidas certas. Eles estão a espernear um bocadinho, mas depois calam-se. Se o tempo ajudar, nem se vai ouvir aqui nada. É preciso é que o vento não venha para cá. Está certo, senhora Merkel? Pronto, pode ficar tranquila. Os portugueses não vão deixar que aconteça nada à Alemanha. Dê-me cá então duas beijocas. Ah, é verdade, aprecia farófias?

Lóbi do chá