Archive for Julho, 2010

António Feio

Aproveitem a Vida e
Ajudem-se uns aos outros.
Apreciem cada Momento.
Agradeçam e
Não deixem nada por dizer
Nada por fazer.


Lua de Mel Lua de Fel ou a Idade do Lobo

As férias servem também para isto – ler aqueles livros empilhados na mesa-de-cabeceira ou ver (rever) filmes que fizeram furor pelas mais diversas razões, numa determinada época.

Pois, numa tarde de calor intenso, decidi deitar-me no chão da sala e suportar as horas mais tórridas, vendo um filme. A ponta do meu dedo parou no filme de Polanski, Lua de Mel, Lua de Fel. Ora, porque Polanski continua mediático,  aparecendo de vez em quando  nas parangonas dos jornais, por razões que nada têm a ver com as suas qualidades de realizador; Ora porque Hugh Grant fazia parte do elenco – actor que aprecio, mais pelas suas características físicas que interpretativas ( neste filme, nem uma coisa nem outra) – a verdade é que fiquei absorvida pela trama.

Para mim, a demonstração cabal da mais poderosa experiência psíquica que muitos homens sofrem na vida: a crise da Meia-Idade, ou pejorativamente a Idade do Lobo. A crise de meia-idade masculina é descrita por psicoterapeutas e médicos como um dos mais desestruturantes processos experimentados por um homem. A crise seria mais uma peça no processo descrito pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung como metanoia (palavra grega que significa “mudança”) o que se dá a partir da confrontação do indivíduo com o “envelhecer” e, por conseguinte, com a ideia de ser finito.

Eis algumas passagens do texto, dito por uma das personagens principais do filme, Oscar, um frustrado escritor , de meia idade e vejam como são interessantes os homens quando obcecados por resquícios de juventude que clamam por atenção.

 Não tinha largado a Mimi por uma mulher em especial mas sim por todo o sexo feminino. E estava determinado a recuperar o tempo perdido. Não queria mais complicações sentimentais apenas chafurdar em carne de fêmea como um porco com o cio, saltar de cama em cama, fazer as que podia e passar para outras. Cada dia trazia a promessa de uma nova e fugaz aventura sexual quanto mais breve, melhor. Nos olhos de cada mulher via o reflexo da que se seguiria.

Não a impeço de procurar nos outros o que já não sou capaz de lhe dar, mas supervisiono as aventuras dela em vez de apenas me submeter a elas.

Se senti saudades dela?
Claro que sim.
Mas senti também uma incrível sensação de liberdade. O futuro parecia cheio de promessas, povoado por milhares de imagens sedutoras, a maior parte das quais femininas.

Deixo-vos com mais esta que eu acho, digamos que… deliciosa.

Todos temos uma veia sádica e nada a desperta tanto como saber que temos alguém à nossa mercê.

Na opinião de alguns psicólogos, para ambos os sexos existe um sentimento equivalente, relacionado com o desejo de manutenção da eterna juventude. Porém, o homem pauta a sua vida pelo poder adquirido, o que pode acarretar numa crise mais profunda. Existe uma diferença de como homens e mulheres encaram o processo: enquanto o homem tenta encarar a sua crise de meia-idade de maneira mais individual, mesmo sofrendo, a mulher geralmente mantém a sua intenção de preservar e cuidar da família.

Comentário de uma das personagens femininas do filme, a propósito das atitudes do seu marido:

Não há nada que ele faça que eu não possa fazer melhor.

Tenho dito!!!
Prometo que da próxima vez vejo o Shrek.


Madame Bovary

   

   

Este livro tem aqui um destaque especial, por ter sido o meu primeiro livro lido integralmente online. Mas prometo adquiri-lo assim que for oportuno, pois falta-me a presença física do mesmo.   Estas coisas do virtual dão-me sempre a sensação de vazio, de faz-de-conta…   

Prefiro viver os momentos utilizando os cinco sentidos em toda a sua plenitude e isto também no que respeita à leitura de um livro…faltou-me o tacto…o cheiro.   

Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve em França um grande interesse pelo romance, pois levou o seu autor a julgamento. Flaubert foi levado aos tribunais, onde utilizou a famosa frase “Emma Bovary c’est moi”  para se defender das acusações.   

Foi absolvido pelos tribunais mas os críticos puritanos da época não perdoaram o autor pelo tratamento cru que ele tinha dado, no romance, ao tema do adultério:

Quanto a Emma, não se interrogava a si mesma para saber se o amava. o amor, segundo acreditava, devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações – tempestade dos céus que cai sobre a vida e a revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro. Não sabia que, nos terraços das casas, a chuva forma lagos quando as goteiras estão entupidas, e assim vivia confiada na sua segurança, quando subitamente descobriu uma fenda na parede

 e pela crítica ao clero e à burguesia:

Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração – tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens.   


O silêncio

Pedir emprestado o tubo de ensaio em que o Gedeão analisou uma lágrima de preta ( os poetas são melhores nestas coisas). Introduzir nele o silêncio e acrescentar aos procedimentos mencionados o microscópio electrónico e a tomografia axial computorizada.

Evitar grosseiro erro metodológico – existem muitos silêncios. Manter a calma. Multiplicar as observações, para enriquecer a amostra e legitimar o estudo. Incluir – sobretudo! – silêncio doloroso: de mulheres usadas, homens lacrimejantes, crianças guerreiras e…(vai ser um processo lento). Atingir, por análises sucessivas e cada vez mais finas, a essência do silêncio. Depois, à boa maneira da ciência ocidental, (re)fazer uma síntese – eis-me dono do silêncio absoluto.

O amor é…

Júlio Machado Vaz


Boas Férias

Dance

like no one is watching.

Sing

like no one is listening.

Love

 like you’ve never been hurt.

Live

like it’s heaven on Earth.


Tips to Stay Cool

Greetings.

 If you live in the inner and deep part of Portugal and have skin, you might have noticed that it’s effing hot out these days.

I, of course, am lazing around in my underwear, puffing away. But if you’re not lucky enough to live in a nude household and/or have an air conditioner, you’re probably wondering how you can achieve a similar level of sangfroid. Well, fear not. I live to serve you, my two loyal readers:

1) Steal an ice cream truck. This has been a childhood dream of mine for the entire … years that I’ve been a child (so far.) The truck itself is air conditioned, and once you steal it, you can have all the treats you want, for free!

2) Put ice in your hot pants and run around the neighborhood screaming, “I have ice in my pants!” This will attract attention for awhile, provided the ice cream truck doesn’t come by. It won’t keep you cool, but that’s some old skool shit. You can’t expect to compete with that.

3) Sprinkler time! This is even better if you don’t actually have any outdoor space of your own. Steal a neighbour’s spout and then claim a spot on the sidewalk. (Note: Given how expensive water is, this will get you arrested even faster than the ice cream truck.)

4) Spray your jeans with hairspray and light them on fire. I assume someone might actually take a minute to put you out where you live.

5) Got a roof? Got some tequila? Get yourself a kiddie pool and make yourself into the world’s biggest human cocktail. By the time the ice melts, you’ll be too drunk to care.

And that’s all! Never let it be said that I’m afraid to be servicey.

( adapted from J. Smash )

Miragem

Calor INSUPORTÁVEL. Quarenta graus à sombra… devíamos ter a capacidade de hibernar durante estas ondas de calor. Se estas temperaturas elevadas se mantêm, passo a deslocar-me em camelo e começo a ver miragens.


Estou de olho em ti