imagens da minha vida

Imagens Literárias

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Imagens da minha vida – 2

Como tenho tido muito tempo para ir ao baú do cinema e das memórias, partilho alguns filmes que me preencheram o imaginário ao longo da vida.

O meu primeiro filme, foi visto no cinema Miramar, um lindíssimo cinema ao ar livre com vista para a baía de Luanda. Tinha a enorme vantagem de poder desviar o olhar do écran e ter um cenário real tão deslumbrante que nos envolvia mais do que qualquer ficção.

Tinha eu 5 anos, o filme era para maiores de 6, fui pela primeira vez sozinha com o meu irmão mais velho e, aventura das aventuras, sem os pais. Tremia de medo que descobrissem que eu não tinha idade para assistir ao filme da Walt Disney Branca de Neve e os Sete Anões. Cada vez que alguém olhava para mim, pensava, é agora que vou ser presa. Acho que esse pavor se sobrepôs ao prazer do visionamento do filme. A partir daí passei a ser profissional a passar nas bilheteiras e aparentar uma idade que não tinha.

Muitos outros se seguiram mas dos quais não me lembro.

No início da minha adolescência, outro filme se tornou inesquecível. They call me Trinity. Ainda hoje me lembro da banda sonora e dos carrapatos que ele cuspia quando comia os feijões.

Nos anos 70, vivia todo a  influência dos hippies, do Flower Power – Peace and Love – com o filme Jesus Christ Superstar. Acredito que este foi um dos filmes responsáveis pelo meu interesse pela língua Inglesa, sabia de cor quase todas as músicas.

Depois, fui crescendo, muitos filmes atravessaram o meu crescimento, e o ET é um clássico.

Numa exposição na faculdade de letras, cujo tema não me lembro, vi o primeiro filme pornográfico. Deep Throat. Deixo-vos com os 4 mns decentes do filme.

Mais tarde, outro filme que faz bem aos sentidos.

Mais um que faz parte do meu top 10 e que vou aproveitar para rever ainda durante as férias.

A lista já vai extensa, muitos outros poderiam ser referenciados:

ou

Assim são as imagens que nos pertencem.


Imagens da minha vida

Vou buscar esquecidas lembranças, tempos, lides, canções, gentes, um mundo que resta só na imagem e na palavra de quem a sente.

Da ideia à forma, onde fica o pensamento?

No tempo, longe desse tempo, dessas terras e gentes relembro A MINHA INFÂNCIA em Angola, no outro lado do tempo!

Mudaram-se os tempos, com esses tempos também as vontades: a infância deu lugar à adolescência

REVOLUÇÃO:  isto é: descobrimento
Mundo recomeçado a partir da praia pura
Como poema a partir da página em branco
— Catarsis emergir verdade exposta
Tempo terrestre a perguntar seu rosto

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “O Nome das Coisas”

Somos assim aos dezassete.

Sabemos lá que a vida é ruim!

A tudo amamos, tudo cremos.

Aos dezassete eu fui assim.

Depois, Acilda, os livros dizem,

Dizem os velhos, dizem todos:

“A Vida é triste! A Vida leva,

a um e um, todos os sonhos.”

Deixá-los lá falar os velhos,

Deixá-los lá… A Vida é ruim?

Aos vinte e seis eu amo, eu creio.

Aos vinte e seis eu sou assim.

Sebastião da Gama

Aos quarenta anos sou um ser perplexo,

não como aos vinte ou aos trinta,

mas radicalmente perplexo. Não sei

se amo a vida ou a detesto.

Se amo ou não amo aqueles que amo,

se odeio ou não odeio os que detesto.

Jorge de Sena ( adaptado)

 

O grande mistério não é termos sido lançados aqui ao acaso, entre a profusão da matéria e das estrelas: é que, da nossa própria prisão, de dentro de nós mesmos, conseguimos extrair imagens suficientemente poderosas para negar a nossa insignificância.

 A Condição Humana (1933)