Archive for Outubro, 2014

A Esperança de uma Relação Profunda

Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda». E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras.

Michel Houellebecq, in ‘As Partículas Elementares’

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Acho inúteis

Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior
Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior

Inúteis são os meus gestos
P’ra te falarem de amor
Inúteis são os meus gestos
P’ra te falarem de amor

Acho inúteis os sorrisos
Quando a noite nos procura
Inúteis são minhas penas
P’ra te falar de ternura

Acho inúteis nossas bocas
Quando voltar o pecado
Acho inúteis nossas bocas
Quando voltar o pecado

Inúteis são os meus olhos
P’ra te falar do passado
Inúteis são os meus olhos
P’ra te falar do passado

Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza
Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza

Inúteis são minhas mãos
Nessa hora de pureza
Inúteis são minhas mãos
Nessa hora de pureza

Amália Rodrigues