Poesia

Dia da Liberdade

 

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Conhecemo-nos numa cave maldita
Quando éramos jovens
Mal vestidos os dois fumando à espera da aurora
Apaixonados pelas mesmas palavras cujo sentido era preciso mudar
Equivocados pobres crianças desconhecendo o que era rir
A mesa e os dois copos transformaram-se num moribundo que nos
lançava o último olhar de Orfeu
Os copos caíram e quebraram-se
Foi então que aprendemos a rir
Partimos depois peregrinos da perdição
Através das ruas através do país através da razão

Guillaume Apollinaire


Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

 que não amava ninguém.

 João foi para o Estados  Unidos, Teresa para o convento,

 Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

 Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

 que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade


Mente que mente

Obrigada, Célia.

Acordou dolente,
dormente,
de si ausente.
Levantou-se inconsciente,
de forma inocente…
Foi trabalhar incansavelmente
e, lentamente,
algo semeou em si a torrente,
libertou a corrente
que a inundou freneticamente,
deixando-a, assim, ansiosamente,
procurando voltar a acalmar a mente,
que lhe mente, mente, mente!

Célia Gil


Aos Amigos – Feliz Natal

“Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.

Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,

com os livros atrás a arder para toda a eternidade.

Não os chamo, e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.

– Temos um talento doloroso e obscuro.

construímos um lugar de silêncio.

De paixão.”

Herberto Helder

Flower in the Sun


Phenomenal Woman

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Pretty women wonder where my secret lies.
I’m not cute or built to suit a fashion model’s size
But when I start to tell them,
They think I’m telling lies.
I say,
It’s in the reach of my arms
The span of my hips,
The stride of my step,
The curl of my lips.
I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.

I walk into a room
Just as cool as you please,
And to a man,
The fellows stand or
Fall down on their knees.
Then they swarm around me,
A hive of honey bees.
I say,
It’s the fire in my eyes,
And the flash of my teeth,
The swing in my waist,
And the joy in my feet.
I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.

Men themselves have wondered
What they see in me.
They try so much
But they can’t touch
My inner mystery.
When I try to show them
They say they still can’t see.
I say,
It’s in the arch of my back,
The sun of my smile,
The ride of my breasts,
The grace of my style.
I’m a woman

Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.

Now you understand
Just why my head’s not bowed.
I don’t shout or jump about
Or have to talk real loud.
When you see me passing
It ought to make you proud.
I say,
It’s in the click of my heels,
The bend of my hair,
the palm of my hand,
The need of my care,
‘Cause I’m a woman
Phenomenally.
Phenomenal woman,
That’s me.

Maya Angelou

Santos Populares

Aproveitando as festas dos Santos e em jeito de quadra popular

Imagem de dan´s


Underground poetry

 

 


Até breve!!

Divino cheiro pelo ar,
incenso,flores,comidas
para sentir e perfumar…
Gosto de vida,coração
e uma ferida,deixei tudo,
deixei minha alma cansada
e atrevida fui viajar…

(—)

Habito variadas terras,
visto-me em sorrisos,
em saias e saris…
Cabelos curtos,tranças,
pulseiras e bindi…
Sou várias,sou tantas,
sou daqui, de lá,de onde
a brisa está…
Viajo…E sei
onde vou parar…
Viajo e só tenho uma certeza:
quero mais é viajar…

Karla Bardanza


Dia do pai

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:

o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs

e eu. depois, a minha irmã mais velha

casou-se. depois, a minha irmã mais nova

casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,

na hora de pôr a mesa, somos cinco,

menos a minha irmã mais velha que está

na casa dela, menos a minha irmã mais

nova que está na casa dela, menos o meu

pai, menos a minha mãe viuva. cada um

deles é um lugar vazio nesta mesa onde

como sozinho. mas irão estar sempre aqui.

na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.

enquanto um de nós estiver vivo, seremos

sempre cinco.

José Luís Peixoto – A criança em ruínas


Ode ao Orçamento de Estado

Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
um povo, enfim,
que eu adoro,
porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso
da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta (…) Uma burguesia,
cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras,
sem vergonha,
sem carácter,
havendo homens
que, honrados (?) na vida íntima,
descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira à falsificação,
da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…) Um poder legislativo,
esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do país,
e exercido ao acaso da herança,
pelo primeiro que sai dum ventre
– como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara
ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (…),
sem ideias,
sem planos,
sem convicções,
incapazes (…)
vivendo ambos do mesmo utilitarismo
céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos,
iguais um ao outro
como duas metades do mesmo zero,
e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)”

Guerra Junqueiro, in “Pátria”, escrito em 1896


Panoramic

Só a Natureza é divina, e ela não é divina…
Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado…
Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

 F. Pessoa

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores –
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

 


I still haven’t found what I’m looking for

U2 – I Still Haven\’t Found What I\’m Looking For

I have climbed highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you
I have run
I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls
Only to be with you

But I still haven’t found what I’m looking for
But I still haven’t found what I’m looking for

I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like a fire
This burning desire

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone

But I still haven’t found what I’m looking for
But I still haven’t found what I’m looking for

I believe in the Kingdom Come
Then all the colors will bleed into one
Bleed into one
But yes I’m still running

You broke the bonds
And you loosed the chains
Carried the cross
Of my shame
Oh my shame
You know I believe it

But I still haven’t found what I’m looking for
But I still haven’t found what I’m looking for
But I still haven’t found what I’m looking for


Samba do Acento

001Vamos pôr
os pontos nos is
Eu vou atrás do til
dos teus quadris
que til e tal
cobra no areal
Eu sei que ponho
acento grave em tudo
Mas tu libertas
o acento agudo
Por isso, o til que dás
nas ancas, é capaz
de me pôr a dizer
coisas sem nexo
lua
golo
aliás
gata no banco de trás
num abraço circunflexo.


The End of Summer

002

End of Summer Poem

The little songs of summer are all gone today.
The little insect instruments are all packed away:
The bumblebee’s snare drum, the grasshopper’s guitar,
The katydid’s banjo, the cricket’s violin,
The dragonfly’s cello have ceased their merry din.
Oh, where is the orchestra?  From harpist down to drummer
They’ve all disappeared with the passing of the summer.

~ by Rowena Bennett


The same river

stay… I swear… I am… I can…

Please take a walk with me

Let me know – Am I to blame?

As you know I’ve always loved you and I know I will always love…

I am your fear, hope

I am your grief, joy

I am your deed, word

I am your hate, love

I know… I can… Wanna stay…


Walls

walls


DREAM 1

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça