Archive for Abril, 2012

Palavras com amor

A minha pessoa é a Maria João e a Maria João passa mal. Nem o amor nem a sabedoria médica a podem salvar. Só uma conjunção das duas coisas, mais um acrescento de milagre. O cabrão do cancro alastra-se. Exterminado no pulmão ou na mama, foge para o cérebro, onde se refugia e cresce. Forma uma força da morte, aproveitando as barreiras antigas entre o sangue e o cérebro, que infiltra conforme lhe apetece. Hoje, domingo, é o último dia em que estaremos juntos, dois amores, felizes há quase vinte anos. Amanhã, logo às nove da manhã, estaremos na consulta dos excelentes neurocirurgiões do Hospital de Santa Maria, onde nos avisarão das complicações possíveis. Obama deveria inspirar-se na perfeição clínica e humana do serviço de saúde português e francês. Mas a dor não diminui. Nem a tristeza abranda. Vai morrer o meu amor. Não vai. Como o meu amor por ela, nunca há-de morrer. As coisas acontecem sem acontecer o pensamento nelas. A alma, o coração e a cabeça são coisas diferentes. Que se dão bem. E são amigas. E deixam de ser quando morrem.

Miguel Esteves Cardoso (Público – 29 Abril 2012)


Crianças do arco-íris

Dentro da sala de audiências Anders Breivik ouviu, imperturbável, os testemunhos das vítimas dos atentados na Noruega. Cá fora, cerca de 40 mil pessoas saíram à rua para cantar “As crianças do arco-íris” que tornou-se o hino dos que protestam contra a intolerância.

Durante o julgamento, Breivik disse odiar uma canção infantil muito popular na Noruega, chamada “Crianças do arco-íris”, que fala de “uma terra onde as flores crescem” e onde todos vivem juntos, “cada irmã e cada irmão”. Para o autor confesso dos ataques em que morreram 77 pessoas, esta canção de Lillebjoern Nielsen não passa de “propaganda marxista” que serve para fazer “lavagem ao cérebro das crianças”.


It’s Sunday

Stand about Stand aloof Stand aside Stand apart
Stand back Stand away Stand by
Stand over Stand to Stand against Stand before
Stand with Stand alone Stand in
Stand it out Stand it out
Stand up Stand through Stand down Stand around
Stand ready Stand inside Stand me
Stand them Stand hurt Stand strong Stand along
Stand reckless Stand right Stand true
Stand it out Stand it out
Stand down Stand down your shoulder to the sea
Stand down Stand down your shelter from the rain
Stand down Stand down Stand beside your enemy
Stand over me Stand over me


Miguel Portas

postal miguel.jpg


Dia Mundial do Sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade


O amor e as suas variantes

Dar e receber amor é aquilo em que se apoia a ventura de uma vida.


Parabéns

 


Dia da Liberdade

 


A caminho da Liberdade

Quero poder olhar para trás e dizer: terei feito algumas asneiras, mas no conjunto posso partir, lá para onde for, com tranquilidade.

Miguel Portas


Os livros e Shakespeare

Hoje é o dia do livro e também o dia em que morreu Shakespeare

É a voz da cotovia anunciando a aurora!
Vês? há um leve tremor pelo horizonte afora.
Das nuvens do levante abre-se o argênteo véu,
E apagam-se de todo as limpadas do céu.
Já sobre o cimo azul das serras nebulosas,
Hesitante, a manhã coroada de rosas
Agita os leves pés, e fica a palpitar
Sobre as asas de luz, como quem quer voar.
Olha! mais um momento, um rápido momento,
E o dia sorrirá por todo o firmamento!
Adeus! devo partir! partir para viver…
Ou ficar a teus pés para a teus pés morrer!

♦ ♦ ♦ ♦

It was the lark, the herald of the morn,
No nightingale. Look, love, what envious streaks
Do lace the severing clouds in yonder east.
Night’s candles are burnt out, and jocund day
Stands tiptoe on the misty mountain tops.
I must be gone and live, or stay and die.

Romeo and Juliet



Mondays


Sunday

 

 


Irei sem perdoar

Quero horas para me despedir do pobre país em que vim ao mundo. Relembrar que o amei como se fosse gente, me senti menino acarinhado e feliz no seu regaço. Que dele aprendi a língua,  única no modo de embalo, aquela que para lá do sentido das palavras deixa entrever os mistérios da música e do eterno.
O país da suavidade, do desespero, dos sonhos infantis, das mãos pobres que um nada enche, do sofrimento envergonhado e amanhãs que nunca chegam.
Irei sem perdoar aos que o rebaixam.

J. Rentes de Carvalho


Música para o fim-de-semana


Essa é que é Eça


Porque este blog também é Serviço Público

Eu – cabelo azul, top prateado, botas de motoqueiro pretas até o joelho. Tu – cabelo pintado de vermelho e piercings na boca. (…) Esfreguei-me em ti na pista de dança. Acabámos por ir para a casa de banho e fizemos sexo. Foste tão bom que tiveste que me tapar a boca para eu não fazer tanto barulho.”, diz a mulher no seu anúncio.

Para rematar, a bela da notícia: “Bem, estou grávida. É teu.”


Os maridos das outras

(apresentado pela minha amiga Cláudia)


O Ginásio

e as suas cores.


Dia Mundial da Voz

Use bem a sua voz em duetos (im)prováveis.


Memo