Estive em Bruxelas, vi fechaduras dessas, sem
metáfora, vi Victor Horta. Estava acompanhado,
mas não eras tu. Subi à Acrópole, ainda madrugada,
ao som de Luiz Bonfá numa flauta invisível. Havia
gente, mas não eras tu. Mergulhei na mata, norte
de Moçambique, meio Tarzan, meio
descompensado. Guiavam-me, mas não eras tu.
Comi com as mãos numa cave escura do Lower East
Side. Sorriram-me, mas não eras tu. Atravessei um
rio algures na Cornualha. Ouvimos os patos grasnar,
mas não eras tu. Falei com Eugenio Granell acerca
do capitalismo. Não eras tu. Fiz amor com uma
garça, um salmão selvagem do Alaska, um limo
ondulante. E, então sim, eras tu.

Miguel Martins, in CÃIBRA
EdiResistência, Lisboa, 2012

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2 responses

  1. Aquele momento em que o tempo pára, o mundo desaparece e só fica a serenidade – é assim que me sinto sempre que aqui passo.

    Beijo!

    Janeiro 24, 2013 às 11:00 pm

  2. Helena Gomes

    Também viajo, quando te visito. Um beijo

    Janeiro 27, 2013 às 1:02 pm

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