Casa inacabada com baloiço na janela

Inevitavelmente, voltamos sempre ao mesmo, o amor!…
Tudo já foi dito e redito, tudo já teve o seu direito e o seu avesso, no entanto, quando o dizemos de dentro é como se tudo num breve instante se esbatesse e reencontrássemos a voz primordial.
É assim com a pessoa amada, é assim em todas as canções de amor.

Claro que gostamos de finais felizes, claro que fazemos sentir a nossa falta, claro que nos irritamos, claro que projectamos na voz da pessoa amada os nossos mais secretos desejos…
Claro que nos desiludimos para voltarmos ao mesmo: o amor!

Atravessamos um deserto cego e frio e só depois de nos darmos conta; deixamos livros marcados para que o outro dê conta de nós, rasgamos a pele e a roupa para que, num desespero de carência, se ofereça o essencial… e, no entanto, só perante o amor avaliamos a nossa total fragilidade. É o suspenso momento de todas as indefinições, de todos os medos, de todas as dúvidas… mas, simultaneamente, o grande delta de toda a razão de ser, a grande casa inacabada.

João Monge

Anúncios

One response

  1. Quanto mais ouço, mais apaixonada fico. 🙂

    Agosto 23, 2012 às 12:40 pm

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s