Já o tempo se habitua

Já o tempo Se habitua
A estar alerta
Não há luz Que não resista
À noite cega
Já a rosa Perde o cheiro
E a cor vermelha
Cai a flor Da laranjeira
À cova incerta

Água mole Água bendita
Fresca serra
Lava a língua Lava a lama
Lava a guerra
Já o tempo Se acostuma
À cova funda
Já tem cama E sepultura
Toda a terra

Nem o voo Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota Da gaivota
Ao vento norte
Nem toda A força do pano
Todo o ano
Quebra a proa Do mais forte
Nem a morte

Já o mundo Se não lembra
De cantigas
Tanta areia Suja tanta
Erva daninha
A nenhuma Porta aberta
Chega a lua
Cai a flor Da laranjeira
À cova incerta

Nem o voo Do milhano …

Entre as vilas E as muralhas
Da moirama
Sobre a espiga E sobre a palha
Que derrama
Sobre as ondas Sobre a praia
Já o tempo
Perde a fala E perde o riso
Perde o amor

Zeca Afonso

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3 responses

  1. Tu fazes o teu Tempo. E eu sinto-me honrada por fazer parte dele. Porque, jóia, o teu Tempo é-me tão precioso.

    Big bear hug.

    Fevereiro 24, 2012 às 7:10 pm

  2. Helena Gomes

    uhmmmm…adoro miminhos.

    Fevereiro 24, 2012 às 7:40 pm

  3. Para ti, sempre. (sorriso)

    Fevereiro 24, 2012 às 9:52 pm

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