Histórias da minha vida

Ao visitar alguns blogues terapêuticos, deparei-me com a imagem desta grandiosa árvore, um IMBONDEIRO, e lembrei-me de uma vivência de infância que ainda hoje recordo com um certo misticismo.

Perto de minha casa em Luanda, vivia um velho senhor dentro de um imbondeiro. Nós, as crianças, despachávamos os compromissos escolares para podermos ir brincar para perto da árvore e ouvir as histórias mágicas que o velho João nos contava. Ficávamos fascinados a ouvi-lo e boquiabertos quando iniciava o ritual do cigarrinho. Enrolava um pequeno cigarro que acendia nuns restos de carvão em brasa e depois num golpe de mestre enrolava a língua de forma a que a parte acesa do cigarro desaparecesse dentro da sua boca. Maravilhados, víamos o cigarro aparecer e desaparecer continuamente. Só podia ser Macumba. O velho João vivia de biscates. Lavava uns carros, tratava dos quintais, disponibilizava-se para tudo aquilo que lhe desse uns troquitos para o tabaco e alguns víveres. E nós sempre atrás dele, desejosos de mais encantamentos. Uma manhã de um qualquer fim-de-semana, espreitando pelo tronco do imbondeiro, reparámos que a vela que o iluminava à noite, quando fechava a porta da árvore, se mantinha acesa. Chamámos e pela primeira vez, não veio ter connosco. O funeral durou uma série de dias num misto de choro, dança, música e o olhar consternado de uma série de crianças que à distância iam perdendo a sua ingenuidade.

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