A Identidade

 Por mais que dissesse que a amava e a achava bonita, o seu olhar amoroso não poderia consolá-la.

Porque o olhar do amor é o olhar do isolamento.

Pensava na solidão amorosa de dois velhos seres que se tornassem invisíveis para os outros: uma triste solidão que prefigura a morte.

Não, não é de um olhar do amor que ela precisa mas da inundação dos olhares desconhecidos, grosseiros, concupiscentes e que poisam nela sem simpatia, sem escolha, sem ternura nem delicadeza, fatalmente, inevitavelmente.

Esses olhares conservam-na na sociedade dos humanos da qual é separada pelo olhar do amor.

Milan Kundera
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2 responses

  1. (Gasp… Sniff…)

    Right on the money, sweetie. 🙂

    Outubro 13, 2010 às 12:26 am

  2. Helena Gomes

    Se gostares do Milan Kundera,lê este livro, adorei. Deixo-te aqui mais um cheirinho:
    – “Tudo mudou quando te conheci. Não porque os meus trabalhos se tenham tornado mais apaixonantes, mas porque transformo tudo o que se passa à minha volta em matéria das nossas conversas.
    – Poderíamos falar de outras coisas!
    – Dois seres que se amam, sós, isolados do mundo, é muito bonito. Mas de que é que haviam de alimentar os seus encontros a sós? Por muito desprezível que o mundo seja, precisam dele para poderem falar um com o outro.
    – Podiam ficar calados
    – Ah, não, nenhum amor sobrevive ao mutismo.”

    Outubro 13, 2010 às 6:56 pm

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