Lua de Mel Lua de Fel ou a Idade do Lobo

As férias servem também para isto – ler aqueles livros empilhados na mesa-de-cabeceira ou ver (rever) filmes que fizeram furor pelas mais diversas razões, numa determinada época.

Pois, numa tarde de calor intenso, decidi deitar-me no chão da sala e suportar as horas mais tórridas, vendo um filme. A ponta do meu dedo parou no filme de Polanski, Lua de Mel, Lua de Fel. Ora, porque Polanski continua mediático,  aparecendo de vez em quando  nas parangonas dos jornais, por razões que nada têm a ver com as suas qualidades de realizador; Ora porque Hugh Grant fazia parte do elenco – actor que aprecio, mais pelas suas características físicas que interpretativas ( neste filme, nem uma coisa nem outra) – a verdade é que fiquei absorvida pela trama.

Para mim, a demonstração cabal da mais poderosa experiência psíquica que muitos homens sofrem na vida: a crise da Meia-Idade, ou pejorativamente a Idade do Lobo. A crise de meia-idade masculina é descrita por psicoterapeutas e médicos como um dos mais desestruturantes processos experimentados por um homem. A crise seria mais uma peça no processo descrito pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung como metanoia (palavra grega que significa “mudança”) o que se dá a partir da confrontação do indivíduo com o “envelhecer” e, por conseguinte, com a ideia de ser finito.

Eis algumas passagens do texto, dito por uma das personagens principais do filme, Oscar, um frustrado escritor , de meia idade e vejam como são interessantes os homens quando obcecados por resquícios de juventude que clamam por atenção.

 Não tinha largado a Mimi por uma mulher em especial mas sim por todo o sexo feminino. E estava determinado a recuperar o tempo perdido. Não queria mais complicações sentimentais apenas chafurdar em carne de fêmea como um porco com o cio, saltar de cama em cama, fazer as que podia e passar para outras. Cada dia trazia a promessa de uma nova e fugaz aventura sexual quanto mais breve, melhor. Nos olhos de cada mulher via o reflexo da que se seguiria.

Não a impeço de procurar nos outros o que já não sou capaz de lhe dar, mas supervisiono as aventuras dela em vez de apenas me submeter a elas.

Se senti saudades dela?
Claro que sim.
Mas senti também uma incrível sensação de liberdade. O futuro parecia cheio de promessas, povoado por milhares de imagens sedutoras, a maior parte das quais femininas.

Deixo-vos com mais esta que eu acho, digamos que… deliciosa.

Todos temos uma veia sádica e nada a desperta tanto como saber que temos alguém à nossa mercê.

Na opinião de alguns psicólogos, para ambos os sexos existe um sentimento equivalente, relacionado com o desejo de manutenção da eterna juventude. Porém, o homem pauta a sua vida pelo poder adquirido, o que pode acarretar numa crise mais profunda. Existe uma diferença de como homens e mulheres encaram o processo: enquanto o homem tenta encarar a sua crise de meia-idade de maneira mais individual, mesmo sofrendo, a mulher geralmente mantém a sua intenção de preservar e cuidar da família.

Comentário de uma das personagens femininas do filme, a propósito das atitudes do seu marido:

Não há nada que ele faça que eu não possa fazer melhor.

Tenho dito!!!
Prometo que da próxima vez vejo o Shrek.

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2 responses

  1. “Todos temos uma veia sádica e nada a desperta tanto como saber que temos alguém à nossa mercê.” – Olarila! E sabe bem – confesso – dar azo a essa veia de vez em quando…

    Olha, amiga, eu cá acho que muitos homens estão em crise constante. Jung chamava-lhe a “metanoia”; eu digo que é mas é uma ganda nóia ter que aturar certos grunhos, mas vá! (Também não é fácil aturar-me, por isso, até lhes dou um descontito… tipo, 10%, não mais que isso.) 😀

    Umas óptimas férias, amiga, cheias de relax e diversão. E deixa lá o Shrek, que esse também é um coninhas – “ah e tal, porque tu és princesa e eu sou um ogre…” Gajos! Que mais dizer? 😉

    Abreijo*

    Julho 29, 2010 às 2:08 pm

    • Helena Gomes

      És linda! Adoro-te… Beijos e boas férias. Eu só vou conseguir relaxar depois da consulta médica que tenho amanhã. A ansiedade é grande.

      Julho 29, 2010 às 8:44 pm

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