A viagem da viragem

 

Desde há muitos anos que faço visitas de estudo ao estrangeiro, com jovens adolescentes. Para além do trabalho que este tipo de iniciativas acarreta e da responsabilidade de afastar menores do seu seio, as contrapartidas compensam. A forma delirante como reagem, os olhinhos a brilhar, o agradecimento dito ou sentido na forma como nos olham e tocam. A forma vivida e emocionada como, anos mais tarde, ainda nos fazem recordar momentos vividos.

Este ano, senti que alguma coisa está a mudar. A simpatia transformou-se em obrigação, o brilho nos olhinhos já não é de felicidade e agradecimento, mas a reacção a alguma contrariedade. Os pequenos prazeres de guardar gadgets como lembranças de uma viagem que para muitos é a primeira e poderá ser a última para alguns, transformou-se agora em cartão de crédito controlado por jovens em crescimento.

Porque a capacidade de agradecer se dilui na perspectiva de que Eu sou o centro do mundo, porque o conceito de que os outros existem para nos servir, porque a única responsabilidade é aquela que o dinheiro pode comprar, por tudo isto – esta foi a viagem da viragem.

Viajar também é sentir.

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7 responses

  1. So… Not that much fun, after all, eh?

    Há miúdos e miúdos, e nem todos são mal-agradecidos ou indiferentes. Os próximos voltarão a ter esse brilho nos olhos, tenho a certeza. Não desistas. 🙂

    Abril 18, 2010 às 9:11 pm

    • Helena Gomes

      Não são todos, mas bastam alguns…
      Beijos

      Abril 18, 2010 às 9:17 pm

  2. Ah, adoro a foto e a frase final. Se é!

    Abril 18, 2010 às 9:12 pm

  3. Para ti, porque adoro e porque me apetece:

    Abril 18, 2010 às 9:13 pm

  4. A nossa profissão exige uma constante evolução e lidar com as novas gerações permite-nos acompanhar de perto as novas tendências. Penso como tu! Mas não sinto que isso seja dramático; temos que nos adaptar aos novos padrões, até porque eles mudam, mas nós também! E só para exemplificar: ofereci o Inter-rail ao meu filho que está a acabar o curso e achei que seria uma forma de lhe proporcionar uma aventura antes de entrar no mundo do trabalho! Sorriu e respondeu: acho que não…

    Abril 25, 2010 às 12:04 pm

  5. Célia Gil

    Com efeito, os miúdos hoje não dão o real valor ao que lhes é concedido. Têm tudo quanto querem e quando querem e talvez por isso não vivem cada momento, não sentem o que vivem, limitando-se a passar pelas coisas sem lhes conferir o devido valor. O brilho foi, na maior parte dos casos substituído por um olhar expectante de exigência, parecendo até que nós, educadores, estamos permenentemente em dívida para com eles, que vivemos apenas em função deles. No fim, nem um sorriso de reconhecimento, nem um olhar de gratidão… O que vale ainda são as excepções e digo-te que ainda há quem tenha adorado, continue a falar da viagem como o melhor que podia ter acontecido, a relembrar todos os que a integraram, sem esquecer as professoras. E ainda há pais (assim espero!) como eu que estarão sempre aqui para agradecer e dizer “Obrigada, Lena, és o máximo! Não percas a tua boa disposição, alegria de viver e acredita que vale sempre a pena! Beijinhos.

    Maio 4, 2010 às 12:02 am

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