Já o tempo se habitua
Já o tempo Se habitua
A estar alerta
Não há luz Que não resista
À noite cega
Já a rosa Perde o cheiro
E a cor vermelha
Cai a flor Da laranjeira
À cova incerta
Água mole Água bendita
Fresca serra
Lava a língua Lava a lama
Lava a guerra
Já o tempo Se acostuma
À cova funda
Já tem cama E sepultura
Toda a terra
Nem o voo Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota Da gaivota
Ao vento norte
Nem toda A força do pano
Todo o ano
Quebra a proa Do mais forte
Nem a morte
Já o mundo Se não lembra
De cantigas
Tanta areia Suja tanta
Erva daninha
A nenhuma Porta aberta
Chega a lua
Cai a flor Da laranjeira
À cova incerta
Nem o voo Do milhano …
Entre as vilas E as muralhas
Da moirama
Sobre a espiga E sobre a palha
Que derrama
Sobre as ondas Sobre a praia
Já o tempo
Perde a fala E perde o riso
Perde o amor
Zeca Afonso


Tu fazes o teu Tempo. E eu sinto-me honrada por fazer parte dele. Porque, jóia, o teu Tempo é-me tão precioso.
Big bear hug.
Fevereiro 24, 2012 às 7:10 pm
uhmmmm…adoro miminhos.
Fevereiro 24, 2012 às 7:40 pm
Para ti, sempre. (sorriso)
Fevereiro 24, 2012 às 9:52 pm